Cultura Corporativa, o quanto ela é importante?

Em entrevista recente a editora executiva da revista Exame, Cristine Correa (@criscorrea), o empresário Ricardo Semler fez uma afirmação bem interessante sobre cultura corporativa.
Durante uma palestra que ele deu a dirigentes americanos, ele pediu aos executivos em escrevessem em um papel os principais valores dessas empresas. Após o intervalo, Semler misturou os papeis e na volta, os dirigentes, quando questionados, disseram que os papéis que estavam a sua frente ainda refletiam os valores de sua empresa. Lição da história, por mais que as empresas trabalhem arduamente na construção de seus valores, no geral eles não fogem básico como: cuidar do cliente; cuidar do funcionário; inovar sempre e ter o melhor produto/serviço.
Para ele, a cultura é afetada pelo ambiente da empresa e ela está em contante transformação. Segundo Semler, queira ou não queira, não há como fugir disso.
Após ver a entrevista, fiquei decepcionado com a dura realidade. Mais recentemente, pude constatar que o Semler de certa forma está certo. Na maternidade onde minha filha nasceu, na falta do que ler, peguei um catalogo que falava sobre o grupo. Por incrível que pareça, o valores que norteiam a maternidade não diferem muito os valores da multinacional onde eu trabalho.
Na minha opinião, mesmo que haja similaridade de culturas, isto é fato, acredito que as empresas não podem abrir mão de, cada uma ao seu modo, exercitarem tais valores. É a chance que elas têm para sempre se auto-avaliar em relação a estes conceitos universais no mundo corporativo.
Mais importante do que os valores de uma empresa e, que poucas empresas consideram, é ter um propósito claro de definido. É o que Guy Kawasaki define como um mantra. O propósito ou mantra é o que faz com que a empresa seja percebida como algo mais amplo por funcionários, clientes, e investidores. O proposito é o que faz com que os funcionários transformem o mercado onde a empresa atuam, é o que dá um significado ao trabalho. O mesmo conceito é o que transforma os seus clientes em evangelistas e dão aos seus investidores a sensação de estar construindo um legado.

Exame TV – Ricardo Semler falando sobre cultura corporativa

Trecho de uma palestra de Guy Kawasaki em Stanford: “Don’t write a mission statement, write a mantra”

De qualquer forma, convido ao você a opinarem? Valores são realmente importantes para uma empresa? E propósito? O quanto sua empresa poderia avançar se tivesse um propósito claro expresso em poucas palavras? Há empresas que tem, além de valores, um propósito definido, o que você acha?

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Zappos, uma Empresa de Cultura, Alegria e Lucros

Zappos

A Zappos é uma empresa de comercio eletrônico que foi adquirida recentemente pela Amazon (valor da transação: 1.2 bilhões de dólares). Ela difere-se pelo fato de prover um excelente atendimento ao cliente, resultado da maneira como trata seus funcionários.

A primeira vez que ouvi sobre ela foi através de um comentário que o Luiz Henrique (@luizcarioca) fez no meu post no site do CCVP (Clube de Criação do Vale do Paraíba). Na ocasião, foco era inovação e o uso da web 2.0 pelas empresas.

Hoje, dois anos depois, reacendeu meu interesse pela Zappos, já que tenho pesquisado muito sobre empresas democráticas. Tratam-se de organizações onde o funcionário tem mais poder de decisão do que em empresas tradicionais. Neste grupo estão a brasileiríssima SEMCO, do Ricardo Semler, a Southwest Airlines e a Gore & Associates. O que inicialmente era um hobby, hoje levo mais a sério pelo fato de participar de dois comitês onde eu trabalho (um de clima e outro de valores organizacionais).

Movidos pela Cultura

Antes da Zappos, o empreendedor Tony Hsieh teve outra empresa que acabou sendo vendida à Microsoft. Segundo Tony, o que motivou a venda foi o fato de não ter sido dada tanta importância para a cultura organizacional da empresa. Com a Zappos, o cuidado com a cultura organizacional não foi deixado de lado. Mesmo após a venda para a Amazon, Tony continua na liderando a empresa.

http://www.youtube.com/watch?v=t04Yn-kKc0A&feature=related
The Importance of Company Culture – Tony Hsieh (Zappos CEO)

A Zappos dá frete grátis para os seus produtos (tanto para entregá-los, quanto para devolvê-los). O prazo de troca é de 365 dias. A cultura é o combustível para entregar um atendimento ao cliente fora do comum.

Abaixo, os dez valores da Zappos:

1. Entregue um “UAU” através dos serviços (Deliver WOW Through Service);
2. Abrace e Conduza Mudanças (Embrace and Drive Change);
3. Crie diversão e um pouco de maluquice (Create Fun and A Little Weirdness);
4.  Seja Ousado, Criativo e Mente Aberta (Be Adventurous, Creative, and Open-Minded);
5.  Busque o Crescimento e a Aprendizagem (Pursue Growth and Learning);
6. Construa uma Comunicação aberta e Honesta através da Comunicação (Build Open and Honest Relationships With Communication);
7. Construa uma Equipe Positiva e Espirito de Família (Build a Positive Team and Family Spirit);
8. Faça Mais com Menos (Do More With Less);
9. Seja Apaixonado e Determinado (Be Passionate and Determined)
10.  Seja Humilde (Be Humble)

A rotatividade é baixíssima, principalmente se considerarmos que se trata da industria de callcenters. A empresa oferece 2 mil dólares aos novos funcionários que, após duas semanas de treinamentos inciais, desistirem de trabalhar na empresa. Para eles, isto é um filtro que evita danos maiores no futuro.

Zappos compartilha a receita

Na minha opinião, o melhor produto da Zappos não são os seus calçados. A Zappos oferece cursos para quem queira conhecer e vivenciar o ambiente de trabalho alegre e colaborativo da empresa. É possível conhecer o dia-a-dia de seus funcionários, conversar com gerentes e dependendo da sua sorte, interagir com o próprio Tony.

Saiba mais em http://beta.zapposinsights.com/

Zappos Culture Book

Mesmo estando fora dos EUA e nunca tendo adquirido um calçado da Zappos, fui surpreendido há alguns dias quando, ao afirmar no twitter que eu estava pesquisando sobre eles, fui contactado pela empresa. Durante a conversa, a funcionária (Zerina) me ofereceu enviar gratuitamente um edição do Zappos Culture Book. Trata-se de um livro onde cada funcionários expressa como é a experiência de trabalhar na Zappos. Logicamente eu aceitei e o livro chegou em apenas uma semana aqui no Brasil.

A impressão que eu tive foi similar a da americana Patricia Martin da consultoria LitLamp.

http://www.youtube.com/watch?v=UYr2Q7rRva0&feature=related

Quem tiver interesse, pode pedir uma cópia pelo link abaixo:

http://www.zapposinsights.com/main/products/culture-book/

Busque Crescer e Aprender

A empresa incentiva o desenvolvimento dos funcionários e compartilha muita informação pela internet. Há inúmeros videos no YouTube. Todos os funcionários se sentem reponsáveis pelo seu crescimento e dos colegas.

Uma das ações que mais me intrigou foi oferecer gratuitamente o audio-livro Tribal Leadership dos autores Dave Logan, John King e Halee Fischer-Wright em seu site. Fiquei curioso em saber o que levava a empresa a distribuir gratuitamente este livro. Mas isto é o tema para um próximo post.

De qualquer forma, a Zappos está comprometida com um proposito maior do que apenas lucro. Em breve, Tony lançará nos EUA o livro Delivering Happiness, onde compartilha com o mundo o que faz da Zappos um local único para se trabalhar.

Enquanto o livro não saí, você pode conhecer um pouco mais sobre a empresa através dos links abaixo:

http://www.zapposinsights.com/

http://blogs.zappos.com/blogs/ceo-and-coo-blog

http://www.deliveringhappinessbook.com/

Um pouco sobre Ricardo Semler

Ricardo Selmer ficou famoso nos anos 80 com o livro “Virando a própria mesa”. A Semco, empresa que ele preside, cresceu em média 27% ao ano na Última década. O segredo foi adotar práticas  aparentemente impraticáveis nas grandes empresas de hoje. Um sistema de gestão democrática, eliminação de horário fixo, cursos de leitura de balanço financeiro, os funcionários são quem decide o rumo da empresa. Tanto as contratações e em raríssimos casos, as demissões, são decididas coletivamente. Selmer tornou-se mais conhecido internacionalmente do que no Brasil.

Recentemente, um de seus projetos de levar a experiência da Semco para as salas de aulas, a escola Lumiar, foi escolhida pela Microsoft para fazer parte do programa “Microsoft Worldwide Innovative Schools”.

Segue algumas entrevistas de Ricardo Selmer lá fora.

Ricardo Selmer ficou famoso nos anos 80 com o livro “Virando a própria mesa”. A Semco, empresa que ele preside, cresceu em média 27% ao ano na Última década. O segredo foi adotar práticas  aparentemente impraticáveis nas grandes empresas de hoje. Um sistema de gestão democrática, eliminação de horário fixo, cursos de leitura de balanço financeiro, os funcionários são quem decide o rumo da empresa. Tanto as contratações e em raríssimos casos, as demissões, são decididas coletivamente. Selmer tornou-se mais conhecido internacionalmente do que no Brasil.Recentemente, um de seus projetos de levar a experiência da Semco para as salas de aulas, a escola Lumiar, foi escolhida pela Microsoft para fazer parte do programa “Microsoft Worldwide Innovative Schools”. Segue algumas entrevistas de Ricardo Selmer lá fora.